Desigualdade Digital Chegou aos Mais Ricos


Pensamento moderno sobre desigualdade digital avalia diferenças nas habilidades e finalidades do uso, e não apenas entre ter ou não ter acesso à tecnologia

É isso mesmo que você leu. A desigualdade digital chega aos mais ricos. E não é de hoje. E não é pouco. Para entender como, é preciso resgatar trinta e poucos anos do pensamento sobre desigualdade digital em sete ou oito linhas.


Tudo começou na década de 1990, quando pesquisadores nos Estados Unidos quiseram desvendar as implicações da difusão em massa da internet. A conclusão geral foi que a desigualdade de acesso girava em torno dos dispositivos – ter ou não ter, eis a inclusão. Com a disseminação global da telefonia móvel, nos anos 2000, viu-se que o acesso à web dependia de condições individuais em sociedade, como renda, idade e gênero.


Quanto mais jovem e rico, mais conectado. Nascia a clássica e hoje desafiada ideia de “nativos e imigrantes digitais”, de Marc Prensky. Nos anos 2010, a era pós-Snowden mostrou que nem as gerações Y e Z dominam confortavelmente as tecnologias.


Ainda que dolorida, a percepção de que a desigualdade digital é definida sobretudo pelos padrões, qualidade e finalidade do uso ganha força. E a partir disso, há o benefício de se internalizar a responsabilidade: não é a economia que te inclui digitalmente ao baratear seu PC ou telefone, e nem a condição de nascer rodeado de mídias que vão definir se você fica para trás. Se você tem condições econômicas e sociais de acesso, é a motivação que dita onde você está na fila do pão da economia baseada no conhecimento. É assim que a desigualdade digital se abre e faz ricos caírem do penhasco: ter acesso não é mais suficiente, é preciso entender a fundo e saber utilizar.


De acordo com o argumento máximo dos estudos sobre assunto, desigualdades de habilidades, capacidades e interesses no mundo digital agravam as diferenças sociais e culturais na sociedade.



Habilidades digitais e pensamento computacional

De acordo com educadores especialistas, os profissionais devem aprimorar habilidades digitais e desenvolver pensamento computacional.


Habilidades digitais estão relacionadas ao uso das tecnologias de informação e comunicação, e, portanto, vão desde o conforto e prestidigitação para usar mídias digitais até as habilidades orientadas pelo conteúdo, como procurar, filtrar, utilizar e criar informação.


Já o pensamento computacional é a compreensão de como as programações funcionam. “O termo pensamento computacional significa ciência da computação para todos”, explica Paulo Alvim, diretor de produtos da editora educacional Mind Makers. “Os chamados nativos digitais ‘nascem sabendo usar’, mas não a programar. O pensamento computacional foca nos fundamentos estáveis da computação. O Phyton pode sumir daqui a pouco. Computação embarcada, algoritmo, sistema binário – essas coisas não variam”, esclarece o professor.


Uma alfabetização informática desse tipo é o que garante às crianças e adultos de hoje exercer a profissão pretendida amanhã. “A capacidade de entender o mundo digital e como programação funciona é o que dá a capacidade de saber dialogar sobre tecnologia para pesquisa e negócios.


Entender os conceitos do mundo digital e computacional é cada vez mais o que permite saber demandar, gerenciar e liderar no mercado de trabalho”, comenta Fabrício Cardoso, fundador e diretor-geral da SoulCode Academy. Segundo ele, atualmente há grandes gaps de profissionais em condições de trabalhar usando tais conceitos no dia a dia, gaps de gerentes de equipes capazes de direcionar times junto com a área de TI e falta de profissionais no mercado que façam os serviços de digitalização.


A partir das noções de habilidades e pensamento computacional, peguemos aqui dois exemplos práticos de perfis atualmente sujeitos à clivagem digital: o médico e o jornalista.


Conforme estudos de consultorias como CB Insights e outras, a telemedicina avança a passos largos e tecnologias geram inteligência precisa a partir do uso de dados. Buscar pacientes nos plantões e planos de saúde começa a parecer menos eficaz que atrair pacientes criando um belo site com um poderoso conteúdo SEO. Da mesma forma, o médico de um amanhã muito próximo – se não do presente – diagnosticará com dados e estudará online em seu escritório, atendendo fisicamente quando realmente necessário.


Pense agora no esforçado jornalista que estuda um assunto a fundo, com a intensão de trazer informações relevantes e bem escritas à sua audiência. No ano passado, o Guardian e o G1 fizeram testes com robôs, que escreveram artigos e matérias com precisão. Se quiser continuar jornalista, o humano precisa aprender sobre o uso de dados em comunicação para colher informação para então criar conteúdo e trazer notícias.


Este jornalista precisa se apressar, pois as novas elites jornalistas, médicos e outras profissões já estão em formação.



O digital e as habilidades do século 21

Aprender as habilidades digitais e se apropriar de um pensamento computacional não são soluções soltas para se salvar da desigualdade digital. Estas qualidades são meios para viver que se complementam com outras habilidades: as habilidades do século 21.

Não há um consenso sobre o exato número e a nomeação de todas essas habilidades, mas em um de seus estudos sobre habilidades digitais, o maior estudioso em desigualdade digital, Jan van Dijk, elenca as habilidades de técnica, de informação, de comunicação, de colaboração, de pensamento crítico, de criatividade e de resolução de problemas como as essenciais do presente.


Dentro e fora do trabalho, a participação na sociedade exige cada vez mais que tenhamos habilidades digitais atreladas a outras habilidades para nos relacionar com amigos e colegas, identificarmos desinformações, criarmos interações e desenvolvermos estratégias para resolver pepinos da vida. Este é um dos motivos pelos quais soluções educacionais, como a Mind Makers, por exemplo, traz cursos de empreendedorismo criativo e de liderança nas soluções de computação intracurriculares às escolas.




Por onde começar

Se a preocupação existe, a sugestão do diretor da SoulCode Academy é começar com plataformas de no-coding.


“Existem tecnologias desenvolvidas por grandes players mundiais para pessoas caminharem nesse mundo. Conceitos que são muito difundidos, como nuvem e conceitos que você aplica em negócios, como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais). Antigamente, a tecnologia era só de especialistas em seu centro.


A microinformática trouxe isso pra mesa do usuário, mas a tecnologia mais robusta ainda estava concentrada no time de TI. Esse poder voltou para a mão do usuário com a nuvem e facilitação dos serviços”, explica Fabrício Cardoso.


Entre as fontes de aprendizado no-coding estão os vídeos do Youtube e os recursos disponíveis na plataforma Power Apps, da Microsoft, e no Outsystem, plataforma de baixo código portuguesa que oferece soluções também para empresas.


Em um segundo estágio, aquele que não quer ficar nas camadas mais baixas da desigualdade digital pode procurar cursos modulares por assuntos, além de se engajar nos esforços de transformação da empresa em que trabalha. Às escolas que adotam as soluções da Mind Maker, por exemplo, há treinamento de professores até que dominem metodologia e conteúdo para promoverem ensino de forma autônoma junto aos alunos.


“A gente tem um autoestudo de 40 horas ao professor. Tem apresentação, as trilhas que se segue e apresentação sobre toda a cultura digital, explicando inclusive o cyberbullying. O professor estuda os planos e dá 16 aulas no semestre. Somos o facilitador dele, que vai tirando dúvidas e se aprimorando a cada semestre. Como para todo professor, a formação leva um tempo”, explica Paulo Alvim, enfatizando que em certas aulas alunos e professores programam cookies e hackeiam uns aos outros de brincadeira.


Há vários caminhos por onde começar. Só não se pode parar.



Fonte: consumidor moderno

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